Eis um domingo de sol


Depois de dia e dias com chuva e dias nublados, cinzentos, de olhar no chão com o frio que estava eis que vêm dias como este, cheios de sol em que começamos já a relembrar o verão, a projectar as próximas férias e esta vontade de ir, de pegar no carro e ir simplesmente. Sim, é vontade, ansiedade, desejo de fazer acontecer, de marcar, de aproveitar…mas deixo-me apenas estar sentada na minha varanda e apanhar com este banho de sol que me aquece. Vejo passar carros a 30km/h e denoto lá dentro que vai um casal. Independentemente da idade parece que já não têm nada a dizer um ao outro. Virados para a frente, vêem o futuro que será passado em poucos segundos. Se olharem para trás vêem o passado e na verdade não é muito diferente do presente. Talvez a rotina de um casal seja esta mesma, a de passear sem nada dizer quando há sol ao domingo. Perante isto, estou muito bem sentada na minha cadeira com a companhia de um livro e dos meus pensamentos.

Filmes de domingo


Domingo à tarde. Sem nada para fazer. Estou em casa. Sozinha. Opção: ver um filme que passa na tv. Ontem vi o “estranho caso de Benjamim Button”, muito bom filme, faz reflectir sobre a vida, dá-nos outra perspectiva e talvez já muitos de nós tivesse colocado essa questão: e se o processo da vida fosse ao contrário, se em vez de envelhecermos, rejuvenescêssemos?  Enquanto estava a ver o filme estava a lembrar-me do livro “O retrato de Dorian Gray”, tem algumas semelhanças no seu âmago. Mas isto para dizer que uma vez que tinha visto um filme 5 estrelas ontem, permiti-me hoje a ver um filme de “domingo à tarde”. E eis que surge um daqueles bem lamechas, que prometem o amor, a paixão ao virar da esquina e que num país tão grande como os states o parzinho está sempre a esbarrar-se (não foi o caso deste mas vai na mesma onda). Pois é, pois é…estava eu tão bem na minha vidinha de livre e desimpedida, pronta para novas aventuras e vejo este filme lamechas que me faz lembrar que afinal até saberia bem vê-lo acompanhada.

Fogo que arde sem se ver


Nos dias de inverno sabe bem o calor de uma lareira em chamas. Diria mais, ela é uma companhia. Sentada sozinha ao seu lado faz-me falta a sua presença quente. De outro modo, quando o fogo nela brota, com chamas altas e alaranjadas ou se a chama se foi e resta apenas os seus restos, as suas brasas avermelhadas, mesmo assim parece que temos ali uma companhia. De verão não sentimos a sua falta. Entramos e saímos de casa sem quase nos sentarmos. Temos o calor no corpo que busca outros fogos. Mas de inverno parece pesar mais este lado solitário. E a fogueira é uma boa companhia quando nos apetece estar sós .

A diferença está nos detalhes.

Depois de receber um mail duma amiga minha, em vez de reencaminhar com as minhas opções decidi publicar aqui. Serve também para me dar a conhecer aqueles que pouco sabem de mim (isto se vierem aqui ao blogue). E porque a diferença do dia-a-dia está nos detalhes... aqui vai.

QUATRO TRABALHOS QUE TIVE NA MINHA VIDA: 
1 – Socióloga, Câmara Municipal de Valpaços 

2 - Operadora de Call Center da Vodafone, Braga

3 – Assistente de Caixa,Natura selection, Braga

4 -  Inquiridora da Kerigma, Barcelos

QUATRO LUGARES EM QUE VIVI: 
1 - Possacos

2 – Rua do Bairro Novo, Braga

3 – Residência Universitária, Santa Tecla, Braga

4 – Rue Clodion, Paris

QUATRO PROGRAMAS DE TV QUE ASSISTIA QUANDO ERA ADOLESCENTE  

 1 - Top +

2- Beverly Hills 90210

 3 – Onda Curta

 4 - Riscos

QUATRO LUGARES EM QUE ESTIVE E VOLTARIA 
1 - Paris 

2 - Barcelona

3 – Gerês

4 - Madeira

QUATRO LUGARES EM QUE ESTIVE E NÃO VOLTARIA 

1- Tunisia

2 - Salou

3 – S. Martinho do Porto

4 – St. Denis

FORMAS DIFERENTES QUE ME CHAMAM

1 - Márcia

2 - Marcinha

3 - Miga

4 - Pukinha

 QUATRO COMIDAS FAVORITAS:

1 – Bacalhau à Brás

2 - Lasanha

3 – Bolo de chocolate

4 – Bolo de noz e amêndoa

QUATRO COMIDAS QUE ODEIA:

1 – Arroz de cabidela

2 – Arroz com couve

3 – Tripas à moda do porto

4 – Mousse de chocolate

QUATRO LUGARES EM QUE DESEJARIA ESTAR AGORA: 
1 - Paris

2 - India

3 - Dili

4 – Num cruzeiro pelo Mediterrâneo

  QUATRO LIVROS QUE MAIS GOSTEI:

1-    1- Ensaio sobre a cegueira, José Saramago

2-    2- O livro das Ilusões, Paul Auster

3-    3- Equador, Miguel Sousa Tavares

4-    4- Uma vida pela metade, V. S. Naipul

QUATRO CANTORES/BANDAS FAVORITAS:

1-   1- Mafalda Veiga

2-   2-Jorge Palma

3-   3- Rodrigo Leão

4-   4- Deolinda

        QUATRO SONHOS :

        1-Ter um negócio (ser patroa, portanto J )

2-    2- Embarcar numa missão humanitária para Moçambique

3-    3-  Constituir uma grande família (rodeada de pequenos pukinhas)

4-    4- Ser feliz (básico mas reúne tudo o resto e os anteriores)

          QUATRO COISAS QUE DESTESTO:

1-     1- Estar com frio

2-     2- Falta de honestidade

3-     3- Não ser a 1ª opção

4-     4- Ser ignorada

QUATRO COISAS QUE ADORO

1-     1- Um abraço apertado

2-     2- Pôr do sol

3-     3- Ser especial

4-     4- Estar apaixonada



Ir é o melhor remédio

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!Eu amo o
Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio

Um apenas que é tudo

Parece que há uma necessidade, uma força que nos impele a criarmos objectivos para o novo ano. Mas que bronca!!! eu não tenho nada pensado, nenhuma resolução magnifica, nenhum desejo escondido que queira ver satisfeito em 2009...apenas quero o que me enche a alma...

Para este novo ano que começa quero amor apenas. Mas que lamechas! Poderão pensar alguns. Que romântica! Poderão pensar outros. A perspectiva do amor, da paixão, da errância da alma depende do estado em que nos encontramos. Se nos encontramos enamorados um simples pôr-do-sol, um céu estrelado, um vento quente no rosto é razão suficiente para viver, para sorrir. Se por outro lado nos encontramos na fase de não enamoramento…bem, aí tudo muda de figura, tudo parece ridículo, o importante é a vida boémia. Nem uma nem outra são formas erradas de pensar, são apenas estados de espírito, numa em que a emoção prevalece e noutra em que é a razão a comandar os nossos passos.

Mas eu só quero que o amor venha até a mim e possa sentir o vento quente e sorrir, ver um céu estrelado e sentir um formigueiro na barriga, contemplar o pôr-do-sol e sentir o coração aquecer e bater forte. Quero sentir a saudade que me aperta o peito e sentir o nó na garganta. Quero sentir o abraço apertado.

Há uma tal necessidade de amor, de amar que, por vezes, um encontro no momento certo – ou talvez no momento errado – desencadeia o processo fulminante da paixão, da fascinação da evasão.

Quero apenas este amor que é tudo.