Uma conversa implica que haja pelo menos duas pessoas. Uma conversa implica também que haja um assunto sobre o qual as tais duas pessoas (ou mais) possam falar sobre ele, senão passa a ser um monólogo, em que entretanto o outro já está mais preocupado em quantos pedaços de pão a pomba comeu do que no dito assunto proclamado pelo outro. Pois bem, se numa conversa presencial em que um pode tocar o outro, o pode ver, o pode sentir já é complicado estabelecer ligação, sintonia, digamos que em conversas virtuais em chats, ou no famosíssimo MSN, a coisa complica-se. Vemos ali os nossos amigos e os que nem por isso o são. Uns estão marcadamente presentes (online), outros não estão (off line) ou então preferem passar despercebidos. Outros ainda indicam um sinalzinho ocupado, ou ausente. E passada esta primeira barreira, a de saber a de quem está e quem não está e mesmo os que estão não querem estar e alguns ainda que estão para uns e não para outros, e os que estão muito ocupados mas mesmo assim preferem manter o Messenger ligado….passada esta barreira, e não querendo incomodar ninguém lá dizemos um “olá”, um “oi”, algumas vezes por mera educação, de que quem chega deve cumprimentar e outras vezes porque queremos realmente estabelecer uma conversa com aquela pessoa. E as conversas meramente escritas são um desafio. Ainda que com a ajuda dos smiles, as emoções são difíceis de transparecer através de várias letras aglomeradas entre si que formam palavras, frases e todas juntas transmitem informação. Informação opaca. Do lado de lá, quem lê interpreta as tais letrinhas de acordo com a sua consciência, com o seu modo de ver a vida, com o seu modo de pensar. E se já nos conhece razoavelmente bem, aí a opacidade poderá transparecer o que nos vai na alma, ainda que ao de leve, porque escrevemos apenas aquilo que queremos.
Não sei até que ponto as conversas ditas virtuais vieram beneficiar o relacionamento das pessoas. Por um lado mantemos contacto com as pessoas mais queridas ,que de outra forma seria mais complicado. Mas por outro lado, com aquelas pessoas cuja cumplicidade, confiança e convivência é pouca este tipo de conversa pouco acrescenta ao desenvolvimento da relação. Poderão dizer uns que até ajuda, porque se sentem mais à vontade para abordar alguns assuntos, nomeadamente sentimentais, que de outra forma, frente a frente com a pessoa, não teriam coragem de o dizer. Mas então de que vale escrever e olhar para o monitor se olhando olhos nos olhos não o conseguem verbalizar, exprimir?!
E mais ainda, as conversas virtuais criam ansiedade e más interpretações. Se o outro entra e não fala julgamos à partida que não quer falar connosco. Sim, pode ser mesmo isso mas pode ser também um conjunto de várias razões. O mesmo acontece quando alguém sai no preciso momento em que entramos no chat. Enfim, que mais poderei dizer…. Também eu sou uma frequentadora do MSN e também eu anseio e também eu entro e não falo quando não me apetece falar, e também eu estou ocupada fingindo estar e também eu me alegro de conversar com a minha gente e também eu faço más interpretações. Mas que fazer? Se não os podes vencer….