Sonho cor-de-rosa


Já ouvi muitas vezes dizer que sonhamos a preto e branco, com algumas tonalidades de cinzento. Ora, ou eu sou diferente ou essa premissa não é universal para todos. Os meus sonhos, quando me lembro deles, costumam ser coloridos. E não estou a falar dos sonhos que temos acordados, aqueles que no fazem caminhar numa direcção. Esses, claro está, convém mesmo que sejam o mais colorido possível, que tenham as sete cores do arco-íris e mais as suas derivações. Já que não podemos controlar a totalidade do que nos vai acontecendo pelo menos podemos ir sonhando consoante os nossos desejos o permitem.
Mas voltando aos sonhos que tenho enquanto entro durmo…os sonhos são estradas directas ao nosso inconsciente. Isto até seria proveitoso se eu me lembrasse do que sonho, mas são raras as vezes que acordo e o sonho ainda está presente.

Blindness


Ontem vi, através do olhar de outros, o meu livro predilecto estampado na tela. “Blindness”. Na leitura de um livro, na escuta atenta de uma história que nos contam, a imagem que criamos, a sua representação vai até onde a nossa imaginação quiser ir e até onde nos permitimos nela nos perder. Mas quando a imagem nos é dada no seu formato integral, onde a imaginação tem um papel muito reduzido e apenas os nossos olhos são o canal de ligação entre o exterior e o nosso consciente, aí cabe-nos olhar com olhos de ver. Aconteceu-me isso ontem.
Ver um filme baseado num livro já lido por nós cria sempre um expectativa elevada, e normalmente sucede o filme ficar aquém. Ontem não. Pareceu-me ser um retrato fiel ao livro, claro está, feito aos olhos do seu realizador.

Saí da sala de cinema ainda com o mundo do imaginário entrelaçado com o mundo real. A imagem choca, coloca-nos perante os factos como eles são e não perante a nossa vivência. Senti naúseas, angustia e tentei comparar a sensação de ontem àquela que vivi enquanto lia o livro. Realmente não tem comparação. Na leitura de um livro é a nossa mente, a nossa visão, o consciente e inconsciente formado em nós que nos eleva para mundos imaginários. E por segurança, por auto-preservação o nosso corpo e espirito erguem barreiras que nos impedem de aceder ao campo do imaginário que nos fere, nos magoa e nos maltrata. A visualização de um filme, de uma cena na rua consegue transpor essa barreira e chegar até recantos da nossa alma que julgavamos não alcançar, que cria uma sensação de mal estar. Ficamos desprotegidos, vulneráveis e a não ser que tapemos os olhos ou optemos por uma postura de ver e não olhar, a verdade lacera e faz-nos questionar sobre o que está muitas vezes à nossa frente não queremos ver.

Conversa da treta...ou talvez não.

Uma conversa implica que haja pelo menos duas pessoas. Uma conversa implica também que haja um assunto sobre o qual as tais duas pessoas (ou mais) possam falar sobre ele, senão passa a ser um monólogo, em que entretanto o outro já está mais preocupado em quantos pedaços de pão a pomba comeu do que no dito assunto proclamado pelo outro. Pois bem, se numa conversa presencial em que um pode tocar o outro, o pode ver, o pode sentir já é complicado estabelecer ligação, sintonia, digamos que em conversas virtuais em chats, ou no famosíssimo MSN, a coisa complica-se. Vemos ali os nossos amigos e os que nem por isso o são. Uns estão marcadamente presentes (online), outros não estão (off line) ou então preferem passar despercebidos. Outros ainda indicam um sinalzinho ocupado, ou ausente. E passada esta primeira barreira, a de saber a de quem está e quem não está e mesmo os que estão não querem estar e alguns ainda que estão para uns e não para outros, e os que estão muito ocupados mas mesmo assim preferem manter o Messenger ligado….passada esta barreira, e não querendo incomodar ninguém lá dizemos um “olá”, um “oi”, algumas vezes por mera educação, de que quem chega deve cumprimentar e outras vezes porque queremos realmente estabelecer uma conversa com aquela pessoa. E as conversas meramente escritas são um desafio. Ainda que com a ajuda dos smiles, as emoções são difíceis de transparecer através de várias letras aglomeradas entre si que formam palavras, frases e todas juntas transmitem informação. Informação opaca. Do lado de lá, quem lê interpreta as tais letrinhas de acordo com a sua consciência, com o seu modo de ver a vida, com o seu modo de pensar. E se já nos conhece razoavelmente bem, aí a opacidade poderá transparecer o que nos vai na alma, ainda que ao de leve, porque escrevemos apenas aquilo que queremos.
Não sei até que ponto as conversas ditas virtuais vieram beneficiar o relacionamento das pessoas. Por um lado mantemos contacto com as pessoas mais queridas ,que de outra forma seria mais complicado. Mas por outro lado, com aquelas pessoas cuja cumplicidade, confiança e convivência é pouca este tipo de conversa pouco acrescenta ao desenvolvimento da relação. Poderão dizer uns que até ajuda, porque se sentem mais à vontade para abordar alguns assuntos, nomeadamente sentimentais, que de outra forma, frente a frente com a pessoa, não teriam coragem de o dizer. Mas então de que vale escrever e olhar para o monitor se olhando olhos nos olhos não o conseguem verbalizar, exprimir?!
E mais ainda, as conversas virtuais criam ansiedade e más interpretações. Se o outro entra e não fala julgamos à partida que não quer falar connosco. Sim, pode ser mesmo isso mas pode ser também um conjunto de várias razões. O mesmo acontece quando alguém sai no preciso momento em que entramos no chat. Enfim, que mais poderei dizer…. Também eu sou uma frequentadora do MSN e também eu anseio e também eu entro e não falo quando não me apetece falar, e também eu estou ocupada fingindo estar e também eu me alegro de conversar com a minha gente e também eu faço más interpretações. Mas que fazer? Se não os podes vencer….

Haptonomia

O toque, é a vida e o afecto….esse é essencial, crucial, diria mesmo, a razão do ser. Pois bem, dedico este momento ao 1º aniversário do Projecto “Afectos”. Faz este mês um ano que tudo começou. A expectativa, a ansiedade, o conhecimento, as relações, a amizade e sobretudo, o afecto recíproco entre todos os que participam neste projecto. Hoje é mais que um projecto, é um caminho, uma trajectória com pegadas inscritas em pedra firma. Neste caso, e creio que em todos os aspectos da vida humana, o mais importante é o caminho que se faz e não tanto a meta final. Percorrendo estes trilhos, contornando obstáculos, e sobretudo sorrir ao que vem até nós num acto de gratuitidade, remetendo para segundo plano o fim a que nos propomos. Pois tudo o que damos e especialmente tudo o que recebemos cria em nós uma bola de sabão, que de tão transparente, tão frágil e tão brilhante nos enche e faz voar.

Voa...

"Amo a liberdade, por isso deixo livre tudo o que amo...Se voltar foi porque o conquistei, senão voltar, foi porque nunca o tive!"
Autor desconhecido

Fui....



Caminhei em direcção à exposição de Juan Münoz no museu de Serralves. Vistas de longe estas criaturas parecem ter a estatura dum humano normal mas olhadas de perto vemos que a sua dimensão é ligeiramente mais pequena. É assim que por vezes nos sentimos. Embora aos olhos dos outros pareçamos iguais a tantos outros, quando olhamos para dentro de nós mesmos deparamo-nos com a nossa pequenez, como somos um grão de areia num imenso deserto.
Pois bem, abstraída dos meus pensamentos (que me invadem em “full-time” e com horas extraordinárias) vagueei alguns minutos por entre estes seres sorridentes e em nenhum deles denotei um ar enfadonho ou entediado. Todos com o seu sorriso no rosto, talvez um pouco aparvalhados mas sorridentes. E na minha deslocação vagarosa, pé ante pé, fui-me sentido uma deles, num mundo estranho no qual eu não era quem sou e mesmo assim me sentia bem. Assim me senti também um pouco no regresso ao mundo normal. Por entre gente que eu nunca vira mas que passavam por mim com as suas vidas e onde eu poderia ser uma pessoa qualquer que não eu, representar ser uma personagem. Senti que isso seria fugir à minha essencia que faz parte de mim, que sou eu e isso, fugir, não me levaria a lugar nenhum, apenas me afastaria de mim própria.

A rotina é necessária mas também é urgente quebrá-la e sentirmos de vez em quando que “O mundo é um lugar estranho”.

Castelo de areia

Ela não sabia, apenas sonhava. Ela não tinha, apenas desejava. Ela não perdeu, apenas não ganhou. Ela não amava, apenas se apaixonara. Ela não sentiu, apenas intuiu. Ela não viveu, apenas fantasiou. E tudo na cabeça dela era fantasia. Ele que existia não era para ela real mas o que ela imaginava. E quando confrontada, não reconheceu pois tudo era mais do que aquilo que era, e o seu coração não queria apenas o que os olhos viam mas também o que a sua mente sentia. E isso….isso era mais do que ele estava disposto a dar-lhe.

Homens...

"As melhores mulheres pertencem aos homens mais atrevidos... Mulheres são como maçãs na árvore. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque têm medo de cair e magoarem-se. Preferem colher as maças podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, eles estão errados... Elas tem que esperar um pouco para o homem certo chegar ... aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."
Cedido por um amigo

Num dia de particular aborrecimento e pondo de lado algum bom senso ajuda pensar assim.