O tema “felicidade” nunca esteve tão em voga como nos dias de hoje. Uma palavra tão flutuante e quando a procuramos no dicionário…enfim, não encontramos aquela definição romantizada que gira em torno dela, ou que supomos girar. Na 7ª edição do dicionário de língua portuguesa da Porto Editora, o significado de “felicidade” consta assim: “estado de quem é feliz; ventura; boa fortuna; dita; sorte; bom êxito; contentamento.” Ora, o que nos diz então? A felicidade, é sim, um estado de quem é feliz. Portanto, se é um estado é susceptível de ser alterado. Um estado de espírito. Logo, a pergunta “És feliz?” está mal colocada. Devíamos antes perguntar “Estás feliz?”.
Cada vez mais a felicidade nos é servida em pequenas doses, repartidas por vários momentos da nossa vida. E a aspiração em “ser feliz” é utópica, principalmente nos dias de hoje, quando tudo à nossa volta parece ser de tão fácil acesso. Assistimos na televisão diariamente (ok, podemos não assistir mas sabemos que existe) às telenovelas onde evocam estilos de vida por nós ambicionados. Pessoas bem sucedidas profissionalmente e pessoalmente e assim parecem ser felizes a tempo inteiro. Esta falsa aparência de felicidade reflecte em nós grandes expectativas que facilmente saem goradas pois apesar de tudo ser mais acessível, esse tudo também é mais diversificado.
Sou feliz? Digamos que tenho os meus momentos de felicidade e os outros que o não são é porque estou ocupada a reflectir, a pensar sobre alguns problemas inerentes ao facto de ser um ser racional. Só os tolinhos são felizes a tempo inteiro, pois eles não perdem tempo a pensar nas adversidades, nem têm consciência que existe o lado menos bom da vida. Portanto, sou feliz a part-time e ainda bem.